Friday, March 03, 2006
Quando acordei pela primeira vez na cela eram 11 e meia da manhã e o Nelo e o Ricardo já tinham ido esquiar com a Universidade para os Pirinéus há mais de 5 horas. Aproveitei para conhecer melhor a cidade que já tinha apalpado há cerca de um mês com a minha namorada, a Inês, de quem já tinha muitas saudades passadas 24 horas. Conheci melhor também aquele que será o meu colega na universidade e na penitenciária, recluso numero 849, Leandro Fonseca. Como bons portugas, lá levamos o nosso farnel atrás, o qual almoçamos no Jardin de plantes. Íncrível, deu para estacionar o carro em Toulouse sem pagar e sem andar 15 minutos às voltas !Depois de comer os últimos rissois portugueses que levei seguimos a pé até um dos símbolos da cidade, a pont neuf. Descansei um pouco na margem do rio Garonne com vista para a ponte na boa companhia do incansável Leandro. Passámos para a outra margem do rio para conhecer o jardin de filtres onde estava pessoal a fazer malabarismos.

À noite fomos jantar à cela do bem disposto Caio, um brasileiro que também mora no Tripode C. Lá estavam 4 nacionalidades representadas por 12 pessoas a comer pizza num quarto de 8 m2, sim, cabem.Uma Norueguesa que parecia muito calada mas que bebeda fala pelos cotovelos, três brasileiros, uma brasileira, um colombiano e 6 portugueses, eu, o Leandro, o Ricardo, o Nelo, o Rui e o André. Falou-se de viagens e dos países de origem em francês, espanhol, portugues e Inglês. Foi bom conhecer pessoas tão interessadas em conhecer o mundo que as rodeia e ao mesmo tempo com tanta coragem (o colombiano George não via o novo continente há mais de 6 meses). Depois ainda houve tempo para aquele que seria, a partir daí, um hábito regular na peniténciária. O chá da meia noite na cela 849 do Leandro.

